Há uns tempos atrás tive de fazer umas consultas de Osteopatia, para ver se sofria menos da coluna do que eu normalmente sofro. Estas dores, eram fruto de um corpo que passou por uma gravidez iniciada aos 57 kg e que após 5 meses de parto até ao presente se mantém nos 51kg.
Podia dizer que fiz uma dieta milagrosa, que contratei um "personal trainer" que na vida passada foi um Rambo ou coisa que o valha ou que até fui á Clínica do Tempo falar com o "Dr. Spock" português num consultório de frente para o mar, mas estaria a mentir com todos os dentes que tenho na boca.
Regressei ao trabalho e pura e simplesmente os quilinhos foram à vida, voltei a vestir o meu 34/36 de calças e a usar as minhas roupas, aliás até tive de as dar, por me estarem largas.
Com tudo isto, a coluna começou a dar sinais que a perda de peso, não lhe fez assim tão bem. As enxaquecas voltaram, o inchaço nos ombros e os músculos do trapézio mais enrijecidos que um bacalhau seco.
O meu irmão aconselhou-me o Dr. Rui, ali tão perto do trabalho, que olhou para mim com ar de desdém, que levou um baile na presunção profissional e logo na primeira consulta ouvi mais "A palavra relaxar não existe no seu dicionário" ou " Quem diria uma magricela com tantos problemas nas costas?!" que na minha vida toda.
Na segunda e terceira consulta o Dr. Rui de uma forma muito mansa mas ao mesmo tempo directa fez-me entender que os problemas eram psicológicos (algo que eu suspeitava) e que devia fazer algo que gostasse. Pelo menos, nem que fosse ter uma hora por dia/semana a fazer o que eu mais gostava de modo a descomprimir e deixou-me assim com esta dúvida no ar.
Todas as consultas foram importantes, apesar de ter deixado o tratamento pois além de caro no dia a seguir eu não me conseguia mexer e tinha de sobreviver a emplastros e Nolotil. Nem vou comentar das nódoas negras espalhadas pelo corpo.
Acredito piamente se alguém visse o meu corpinho por certo tinha uma queixa contra o meu marido na P.S.P. mais próxima e a UMAR a oferecer um dos seus "bunkers" de braços abertos.
Acredito piamente se alguém visse o meu corpinho por certo tinha uma queixa contra o meu marido na P.S.P. mais próxima e a UMAR a oferecer um dos seus "bunkers" de braços abertos.
Fui para casa e partilhei com a família, para reprovação dos sogros e aplauso da mãe. Os meus sogros diziam que eu agora era mãe, além de esposa e responsável pela minha família e que isso era a minha prioridade por outro lado a minha mãe á sua maneira despachava apoiava-me e dizia que eu antes de ser esposa e mãe era mulher e que tinha de ter o meu espaço, o meu refúgio, o meu "me time" nem que fosse para dizer umas caralhadas á moda do Norte.
O meu marido dizia que eu tinha de ter a minha independência e o meu tempo, as minhas compras (comedidas), os meus chás com as minhas amigas e depender de mim mesma e mais ninguém para fazer o que me apetecia.
O meu marido dizia que eu tinha de ter a minha independência e o meu tempo, as minhas compras (comedidas), os meus chás com as minhas amigas e depender de mim mesma e mais ninguém para fazer o que me apetecia.
Pensei no que gostava de fazer e em todas aquelas coisas que eu fazia quando tinha 15 anos e lembrei-me do meu diário.
O meu parvo diário escrito até aos 17 anos, queimado após uma leitura no ano de 2003.
O meu parvo diário escrito até aos 17 anos, queimado após uma leitura no ano de 2003.
O mais parecido que tinha com o meu diário era o blogue e antes do "Anomalias Femininas" eu tive outro blogue, que até tinha os seus visitantes, que tinha uma agora "blogostar" como "guru", que foi um programa de rádio na Rádio Comercial e no qual eu escrevi tantos e bons momentos.
Pensei duas vezes se o reabria, até podia fazer, mas aquela blogger já não era eu. A minha vida era tão diferente do que hoje é. Não por ser mãe, por trabalhar num sítio completamente diferente do antigo , por ter amigos diferentes dos que tive naquela altura mas pura e simplesmente porque não conseguiria continuar a escrever no mesmo registo. Estaria a mentir a mim própria.
Eu abri o Anomalias Femininas, para poder escrever o que me vai na mente e para poder dizer o que nem ás paredes posso confessar.
Cá estarei para acompanhar os teus desabafos. :)
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